domingo, 9 de outubro de 2011

As ilusões chegaram ao fim

As ilusões chegaram ao fim.
Esta afirmação do ministro Miguel Relvas fez-me recordar os anos loucos iniciados pelo consulado socialista de António Guterres que, na trôpega vontade de libertar os portugueses dos maléficos anos do cavaquismo, desatou a legislar de forma irresponsável e sem cuidar dos impactos futuros das acções do seu governo.
Um pequeno exemplo dessa verborreia legislativa, dos últimos anos do século passado, foi a aprovação do Decreto-Lei n.º 81/95, 22-04-1995, que prevê a criação de brigadas anticrime e de unidades mistas de coordenação (no tráfico de droga) integrando a Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a Direcção-Geral das Alfândegas.
Ou seja, a investigação criminal foi franqueada a, quase, todos os órgãos de polícia criminal.
Dirão muitos que esta foi uma das decisões mais conseguida do guterrismo. Eu direi que foi o princípio de toda a confusão, plasmada na LOIC de 2000.
Estou bem recordado que António Guterres até deu como exemplo, para justificar a decisão do seu governo, o roubo que a sua falecida esposa tinha sido vítima, ali para os lados do IST, em lisboa, por jovens drogados.
A ideia dos socialistas passava por ser mais assertivo contra esses delinquentes, daí a necessidade de atribuir competências de investigação a outros OPC’s e quebrar assim o exclusivo da PJ. Contra o crime e "com" força.
Serve este intróito para vos pedir que reflitam no que se passou em Portugal após o ano de 1995. Reparem bem.
Nesse ano o total de efectivos da PJ, carreira de investigação criminal, era de 929 indivíduos e detinham o exclusivo da investigação criminal no país.
Recordam-se de problemas graves no que à investigação criminal dizia respeito? Havia incompetência na resolução dos inquéritos crime em investigação?
Relembro: 929.

Anos
Polícias
Polícia Judiciária
Polícia de Segurança Pública
Guarda Nacional Republicana
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
1993
789
18.440
24.102
309
1994
869
18.102
23.347
309
1995
929
18.204
23.395
533





2010
1.107
21.558
23.209
695

No ano da graça de 2010, a PJ tinha 1.107 trabalhadores na carreira de investigação criminal.

A estes temos que adicionar os trabalhadores que na PSP, na GNR e no SEF estavam colocados em funções directamente relacionadas com a investigação criminal e que serão (não foi possível apurar um número fiável) aproximadamente 5.000 trabalhadores.
O que eu pergunto, como cidadão e contribuinte é se houve alguma alteração significativa na qualidade e na eficácia da investigação criminal em Portugal, de 1995 a 2010, que justifique o enorme desperdício de dinheiros públicos que foram investidos na PSP, GNR e SEF para implementar os respectivos serviços de investigação criminal?
De 929 pessoas passamos para mais de 5178. Será que valeu a pena? 
Depois queixam-se que os serviços públicos são um sorvedouro de dinheiro...

1 comentário:

  1. Muito bem apanhado.
    Espero que alguém dê a conhecer esta realidade à Ministra da Justiça, pode ser comecem a dar mais valor aos PJ's.

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